TUDO SOBRE O CHIMARRÃO

14 08 2009

TRADIÇÃO GAUCHA

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O chimarrão é uma tradição gaúcha que acompanha a peonada do campo e da cidade diariamente, o clima quase sempre frio favorece a prática desse outro costume que além de gostoso é revigorante e também fraterno pois a cuia passa de mão em mão, dando sequência nas trovas e conversas. E é ótimo parceiro do churrasco, pois é diurético e digestivo.


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Curtindo a cuia:

Antes de tu ires mateando, tens que dar um trato na cuia.

*Seguem abaixo orientações para isso.

Cura-se uma cuia enchendo-a de erva-mate pura ou misturada com cinza vegetal e água quente. Este pirão deve permanecer por dois ou três dias, sempre úmido, para que fique bem curtida, impregnando o gosto da erva em suas paredes. A Cinza é para dar maior resistência ao porongo.

Passando o tempo determinado, retira-se a erva-mate da cuia, raspando com uma colher, para eliminar alguns baraços que tenham ficado.

Enxágua-se com água quente e estará curada ou curtida, pronta para entrar em uso. O mate ou cuia se cura cevando, isto é, à medida que vai sendo usada vai dando melhores mates.

Há quem goste de colocar o mate (cuia) num cozimento com flores de maçanilha após o curtimento.


Preparando o Chimarrão

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1. Comece colocando água para ferver

2. Coloque a erva em 3/4 da cuia

3. Tape com a mão, e deite a erva até ficar quase vertical, sacuda.

4. Despeje água morna na cuia na quantidade suficiente para deixar a erva armada na posição inclinada.

5. Deixe inchar a erva por mais ou menos 3 minutos.

6. Enterre a bomba na erva tapando a ponta com o polegar. Vá até o fundo.

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7. Deixe a água chiar, sem ferver.

8. Encha a cuia e tome até roncar, antes de passar para outra pessoa.

9. Agora você está pronto para saborear o seu chimarrão.

Adicione água quente (80ºC) no espaço vazio próximo a bomba enchendo a cuia (sem cobrir completamente a erva).

Beba até que a água tenha terminado e volte a encher a cuia e assim por diante. Não mova a bomba e continue usando a mesma erva até sentir que ela perdeu o gosto.

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Dicas . Use erva nova  e  não tome muito depressa


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OBS: Se tu és dos que estão descobrindo agora o chimarrão, seja pelo motivo apontado, seja por se tratar de turista de passagem ou ainda por qualquer outro motivo, saibas que, ao lado da simplicidade desse costume e da informalidade que caracteriza a roda de chimarrão, existem certas regras, mandamentos que devem ser respeitados por todos. Vejamos, pois, aquelas coisas que ninguém tem o direito de fazer, sob pena de ver os gauchos empunhar lanças pela enésima vez na história e  talvez  antecipar o “dia seguinte”.

(01) NÃO PEÇAS AÇÚCAR NO MATE

O gaúcho aprende desde piazito que o chimarrão se chama também mate amargo ou, mais intimamente, amargo apenas. Mas, se tu és dos que vêm de outros pagos, mesmo sabendo poderás achar que é amargo demais e cometer o maior sacrilégio que alguém pode imaginar neste pedaço do Brasil: pedir açúcar.

Pode-se pôr na água ervas exóticas, cana, frutas, cocaína, feldspato, dólar etc, mas jamais açúcar.

O gaúcho pode ter todos os defeitos do mundo mas não merece ouvir um pedido desses. Portanto, tchê, se o chimarrão te parece amargo demais não hesites: pede uma Coca-Cola com canudinho. Tu vais te sentir bem melhor.

(02 )NÃO DIGAS QUE O CHIMARRÃO É ANTI-HIGIÊNICO

Tu podes achar que é anti-higiênico pôr a boca onde todo mundo põe. Claro que é. Só que tu não tens o direito de proferir tamanha blasfêmia em se tratando do chimarrão. Repito: pede uma Coca-Cola com canudinho. O canudo é puro como água de sanga (pode haver coliformes fecais e estafilococos dentro da garrafa, não no canudo).

(03) NÃO DIGAS QUE O MATE ESTÁ QUENTE DEMAIS

Se todos estão chimarreando sem reclamar da temperatura da água, é porque ela é perfeitamente suportável por pessoas normais. Se tu não és uma pessoa normal, assume e não te fresqueies. Se  porém, te julgas perfeitamente igual às demais, faça o seguinte: vai para o Paraguai. Tu vais adorar o chimarrão de lá.

(04) NÃO DEIXES UM MATE PELA METADE

Apesar da grande semelhança que existe entre o chimarrão e o cachimbo da paz, há diferenças fundamentais. Com o cachimbo da paz, cada um dá uma tragada e passa-o adiante. Já o chimarrão, não. Tu deves tomar toda a água servida, até ouvir o ronco de cuia vazia. A propósito, leia logo o mandamento seguinte.

(05) NÃO TE ENVERGONHES DO “RONCO” NO FIM DO MATE

Se  ao acabar o mate, sem querer fizeres a bomba “roncar”, não te envergonhes. Está tudo bem, ninguém vai te julgar mal-educado. Este negócio de chupar sem fazer barulho vale para Coca-Cola com canudinho…

(06) NÃO MEXAS NA BOMBA

A bomba do chimarrão pode muito bem entupir, seja por culpa dela mesma, da erva ou de quem preparou o mate. Se isso acontecer, tens todo o direito de reclamar. Mas  por favor, não mexas na bomba. Fale com quem lhe ofereceu o mate ou com quem lhe passou a cuia. Mas não mexas na bomba.

(07) NÃO ALTERES A ORDEM EM QUE O MATE É SERVIDO

Roda de chimarrão funciona como cavalo de leiteiro. A cuia passa de mão em mão, sempre na mesma ordem. Para entrar na roda, qualquer hora serve mas, depois de entrar, espera sempre tua vez e não queiras favorecer ninguém, mesmo que seja a mais linda  prenda do Estado.

(08) NÃO “DURMAS” COM A CUIA NA MÃO

Tomar mate solito é um excelente meio de meditar sobre as coisas da vida. Tu mateias sem pressa, matutando, recordando…  Agora, tomar chimarrão numa roda é muito  diferente. Aí o fundamental não é meditar e sim integrar-se à roda. Numa roda de chimarrão, tu falas, discutes, ri, xingas, enfim, tu participas de uma comunidade em confraternização. Só que esta tua participaçâo não pode ser levada ao extremo de te fazer esquecer da cuia que está em tua mão. Fala quanto quiseres mas não esqueças de tomar teu mate, que a gurizada tá esperando.

(09) NÃO CONDENES O DONO DA CASA POR TOMAR O 1º MATE

Se tu julgas o dono da casa um grosso por preparar o chimarrão e tomar ele próprio o primeiro, saibas que grosso é tu. O pior mate é o primeiro e quem o toma está te prestando um favor.

(10) NÃO DIGAS QUE CHIMARRÃO DÁ CÂNCER NA GARGANTA

Pode até dar. Mas não vai ser tu, que pela primeira vez pegas na cuia e irás dizer  com ar de entendido, que chimarrão é cancerígeno. Se aceitaste o mate que te ofereceram, toma e esquece o câncer. Se não der para esquecer, faça o seguinte: pede uma Coca-Cola com canudinho, que ela… etc, etc

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LENDA DO CHIMARRÃO

Existem muitas lendas contando como foi que começou o uso da erva mate.

A tribo de índios guarany derrubava um pedaço de mata, plantava a mandioca e o milho, mas depois de quatro ou cinco anos a terra se euxaria e a tribo precisava emigrar a terra além.

Cansado de tais andanças, um velho índio, já mui velho, um dia recusou seguir adiante e prefere quedar-se na tapera. A mais jovem de suas filhas, a bela Jary ficou entre dois corações: seguir adiante, com os moços de sua tribo, ou ficar na solidão, prestando arrimo ao ancião até que a morte o levasse para a paz do Yvi-Marai. Apesar dos rogos dos moços, terminou permanecendo junto ao pai.

Essa atitude de amor mereceu ter recompensa. Um dia chegou um pajé desconhecido e perguntou à Jary o que é que ela queria para se sentir feliz. A moça nada pediu, mas o velho pai pediu, “renovadas forças para poder seguir adiante e levar Jary ao encontro da tribo que lá se foi”.

Entregou-lhe o pajé uma planta muito verde, perfumada de bondade, e ensinou que ele plantasse, colhesse, as folhas, secasse ao fogo, triturasse, botasse os pedacinhos num porongo, acrescenta-se água quente ou fria e sorvesse essa infusão, “terás nessa nova bebida uma nova companhia saudável mesmo nas horas tristonhas da mais cruel solidão”. Dada a receita partiu.

Foi assim que nasceu e cresceu a caá-mini. Dela resultou a bebida caá-y que os brancos mais tarde adotaram o nome de chimarrão.

Sorvendo a verde seiva o ancião retemperou-se, ganhou força e pode empreender a longa viaje até o reencontro com seus. Foram recebidos com a maior alegria.

E a tribo toda adotou o costume de beber da verde erva, amarguentinha e gostosa que dava força e coragem e confortava amizade mesmo nas horas tristonhas da mais total solidão.

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Evolução Histórica

O uso desta planta como bebida tônica e estimulante já era conhecido pelos aborígenes da América do Sul. Em túmulos pré-colombianos de Ancon, perto de Lima no Peru, foram encontradas folhas de erva mate ao lado de alimentos e objetos, demonstrando o seu uso pelos incas.

Desde os primórdios da ocupação castelhana no Paraguai, indicado por Don Hernando Arios de Saavedra (governante de 1592-1594), observou-se a utilização da erva mate pelos indígenas.

Os primeiros jesuítas estabelecidos no Paraguai (posteriormente nas missões), fundaram várias feitorias, nas quais o uso das folhas de erva mate já era difundido entre os índios guaranis, habitantes da região.

Posteriormente observou-se que os indígenas brasileiros, que habitavam as margens do rio Paraná, utilizavam-se igualmente desta Aquifoliácea. Outras tribos não localizadas em regiões de ocorrência natural da essência, possuíam o hábito de consumi-la, obtendo-a através de permuta.

Estas tribos localizadas no Peru, Chile e Bolívia, transportavam o produto por milhares de quilômetros.

Orientados pelos jesuítas, instalados na Companhia de Jesus do Paraguai (denominação dada no século XVII aos territórios das províncias do Paraguai, Buenos Aires e Tucuman), os indígenas iniciaram as plantações de erva mate.

Concomitante a implantação de ervais, os jesuítas aprofundaram-se no estudo do sistema vegetativo da planta, visto que as sementes caídas das erveiras não germinavam naturalmente. Os jesuítas definiram preceitos sobre época de colheita de sementes, do preparo e cultivo da erva mate.

Por mais de século e meio (1610-1768), quando se deu a saída forçada da Companhia de Jesus, os jesuítas exploraram o comércio e a exportação do mate. O Padre Nicolós Durain observou que os índios tomavam o mate em água quente, não podendo passar sem ele no trabalho, muitas vezes, pois era o único sustento.

As bandeiras paulistas que de 1628 a 1632 percorreram as regiões de Guaíra regressaram trazendo índios guaranis prisioneiros, e com eles o hábito da bebida.

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Origem do nome Mate

O espanhol preferiu usar a voz “mate”, da língua quíchua, e que se ajusta melhor à modalidade grave do idioma. A palavra quíchua “mati” era a designação da cuia. Substituiu a palavra guarany, caiguá, nome composto das vozes caá (erva), i (água) e guá (recipiente). O significado é o seguinte: recipiente para a água da erva.

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2 responses

13 09 2011
Machado

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26 06 2010
flavia rader

Parabens ! Gostei muito da maneira exposta sobre esta linda tradiçao ! Vai me ajudar em meu trabalho sobre multiculturalismo. Obrigada.

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